

Alguns belos trabalhos novos de Monica Piloni, que à primeira vista parecem feitos de papel marche, mas não sei se realmente o são, faz a gente lembrar dos Fuscas derretidos de Sérgio Romagnolo, assim como nas aflitivas esculturas de mármore com espécies de roldanas de fixar ossos em convalescência de pós-operatório (as quais eu compraria todas), de Eduardo Climachauska, há um olho de Sérgio Camargo.Claro que muita “coisa” que lá estava presente ou ausente eu não vi. Não vi Djanira, Jac Leirner, Monica Nador e nem Carmela Gross. Beatriz Milhazes sim! Tarsila do Amaral, acho que sim!
Não sou contra a feira, muito menos contra o bom sucesso de mercado (de vendas) dos artistas. Mas que a verdade seja dita: a SP Arte coisifica e joga a arte (todo mundo) num panelão de uma maneira um tanto quanto cruel. E tenho absoluta certeza de que se alguém chegasse ali, no pé do ouvido de algum marchand de escritório de arte pedindo um Romero Brito, este surgiria como num passe de mágica (se já não estava exposto e eu também não o vi). Há quem vá falar em preconceito, democracia ou sei lá o quê. Tá, tá bom.
A questão aqui é que existe, sim, um código cada vez menos secreto na produção artística contemporânea que atrofia o pensamento para a subserviência de um gosto do senso comum do mercado, cada vez mais acomodado e tendencioso. E assim as coisas vão. O que importa na vida, afinal, é ter dinheiro no bolso (para comprar), não é?
Conversando com um artista novo e talentoso, soube que ele precisou insistir bastante para o seu galerista tirar alguns de seus trabalhos do fundo do acervo (estoque) e colocá-lo decentemente às vistas dos passantes da feira.
Por outro lado, a própria feira está tão ciente de que as linguagens e os suportes (e até mesmo a criatividade) estão tão engessados, que num espasmo de urgência montou um segundo andar inteirinho do pavilhão com instalações (outra nomenclatura que já, já, já era...) de artistas quase novos e outros consagrados, onde pouquíssima gente circulava. Do mesmo modo, os debates com os artistas (que eu não fui em nenhum, mas que ouvi sobre depois) parecem terem sido bem profícuos.
De repente, especialmente para quem nem em sonho estava ali para comprar, estas eram a melhores partes da feira. Pelas instalações, onde bem circulei, tudo parecia ser incrível. De Regina Silveira à Alice Miceli, passando por Carla Gagliardi, Ana Holk, Rubens Mano, Marcelo Cidade, Raquel Kogan, Marepe, Renata Padovan, Paulo Vivacqua , Luiz Zerbini e outros mais... (filminho abaixo).
O meu medo é que hoje, artistas jovens e extra-ordinários, gente inteligente de uma criatividade inesgotável que “foge” radicalmente do sistemão meio pilantra e saturado de se fazer, de se entender e enxergar a arte: eles subvertem os modos, os suportes, a circulação e a propria ideia fixa de suportes e circulação; especialmente a turma do vídeo e da performance (e por que não outras turmas - da pintura e da arquitetura - se é que ainda há turmas), ao que parece, daqui a alguns anos, sugados pela demanda do mercado, fatalmente também se entregarão ao ofício de fabricar e vender bom-bons.

0 comentários:
Postar um comentário