quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

"O ARTISTA DEVE, CADA VEZ MAIS, TER MENOS" - de volta à simplicidade



No invólucro da natureza, em Back to Simplicity ela deposita e repõe suas energias depois de longa jornada museu adentro, no MOMA, quando numa aclamada retrospectiva criou, de lambuja, a performance A artista está presente.

Do começo de março ao fim de maio de 2010, durante o expediente do museu em Nova York, Marina estava lá: sentada numa cadeira esperando o público chegar, para que este individualmente se sentasse noutra cadeira em frente à dela e, por tempo indeterminado, ficasse encarando a artista que ali permanecia imóvel, olhando e “vivendo aquela incrível conexão humana”.

“O público é sempre considerado um grupo, mas no conceito dessa performance, o público se tornou uma experiência individual. Você podia sentar e olhar nos meus olhos pelo tempo que quisesse. A ideia era, no momento presente, no aqui e agora, dar um amor incondicional para aquele total estranho à minha frente”.

Comoções e reações mil, choros, risadas, a performance pôde ser acompanhada em tempo real pelo site do museu. De fato, impressionante!

Aqui, na galeria em São Paulo, Marina agora é vista submersa em rebanhos de ovelhas, ou rodeada por montanhas, árvores e flores, numa espécie de reflexão da vida, saudação e reverência. Ações registradas em fotos e vídeos, como num em que ela dorme lindamente aos pés de uma senhora árvore.

A artista está presente me trouxe a consciência da temporalidade da vida. Que a morte é parte da nossa vida. E vi que o presente é o único momento que você pode curtir e desfrutar, e nada mais. Então quando terminei esse trabalho, eu tive a necessidade de voltar ao natural, para ritualizar a simplicidade: beber um copo d’água, olhar para as montanhas, segurar as ovelhas, pensar nas árvores, que são imortais...”

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