quinta-feira, 9 de setembro de 2010

RAMPAZZO E A ÁGUA


Gilson Rampazzo é uma figura ótima e totalmente ambivalente: taciturno e engraçado; meio grosso, ríspido (faz gênero) e amoroso. Professor do Curso de Iniciação ao Texto Literário, no Museu Lasar Segall, em sua primeira aula, há 15 dias, depois de ensinar, entre diversas coisas, as preocupações significantes de quatro versos de uma música de Chico Buarque (o que só fez confirmar a genialidade deste músico-poeta), Gilson pediu para a turma escrever, como lição de casa, um poema sobre a ÁGUA.
Na semana seguinte estávamos lá, num fim de tarde de quarta-feira, lendo poemas e sendo avaliados, um por um. Dandismo escancarado! Porém, no meu caso, sem o "crédito ilimitado" [de dinheiro] que um legítimo dândi deve ostentar, segundo Baudelaire.
Agora, imaginem a minha vontade de sair de casa, onde eu terminava de ver o emocionante final de Paris, Texas (Wim Wenders) no dvd, para ir até a Vila Mariana declamar um poema sobre a água? "Muita desocupação!", dizia a minha cosciência carrasca. Aquele velho mito, ou estigma, da equação poeta = vagabundo.
Mas o que poderia ter sido um show de horror, ao contrário, foi muito bom. Trocas de ideias, palavras, risadas e afetos. E numa de suas idiossincrasias, Gilson solta essa:
- Eu vou dar a minha definição de poema, mas ela está ERRADA!...
"Poema é uma forma de redação que usa a palavra na sua totalidade".
- Palavra na sua totalidade??? O que siginifica isso???
- Olhem que bobagem!, conclui o estimável professor.

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